O ascoroso em mim
Quem vive por trás de uma Máscara como esta... quem permanentemente esconde a Monstruosidade que traz consigo... (e não seremos todos um pouco disto?) vive sob um constante terror. O horror de ver este véu descair apenas o suficiente para ficar à mostra.Todos temos "aquela" pessoa que nos "vê" como ninguém... aquela pessoa que absorve a ruindade que escondemos... aquela pessoa que se aproxima como ninguém dos segredos mais obscuros dos quais poucos se apercebem e dos quais certamente não falamos a ninguém. Uns abraçam-na como se de uma necessidade se tratasse. Outros fogem, petrificados.
Será esta súbita transparência... esta cruel nudez... algo que devemos procurar e receber como a uma bênção? Necessitamos mesmo de alguém que, volta não volta, nos relembre aquilo que somos realmente? Alguém que nos tira a máscara e nos deixe à mercê? Existirá mesmo alguém que queira ver o que está por trás desta fachada e que possa até gostar?
Ah que inocência... que inocência...
Nós, os seres repugnantes e ascorosos, somos mais transparentes do que julgam.
A "essa" pessoa não escondi por muito tempo: "Mostro-te! Olha e vê! Olha e vê o porquê... Perde essa inocência... essa ilusão! O que te atrai é o mistério e não o que acabas por descobrir, não é verdade? Olha mais uma vez e engole de novo em seco. Isso mesmo. Era mesmo só isto! Vá... podes ir embora... que eu não vou atrás. Não vou incomodar-te com esta repugnância. Eu disse-te que era assim. E o que te excitava era essa ideia de não saberes se era verdade (e, no fundo, desejares que não fosse), não era? E agora tens-me como quiseste. E não escondo nada! Nada, desta Monstruosidade! Vai... e fica para sempre na dúvida... Pois se calhar a fachada até era esta... e que mesmo mesmo no fundo sou doce e meigo... e tenho tudo para te fazer feliz..."
Bah... que final pretensioso e fantasista. Mas deixa lá alimentar o sonho mais um bocadito...
16 Comments:
Gostei do teu sítio! As coisas que dizes não me são estranhas, já mas disseram, já as senti, também :)
Não sei se és tolinho varrido ou se és louco. Vou voltar e tirar isso a limpo.
Se fores tolinho, não tenho paciência para te aturar. Se fores louco, linko-te e nunca mais deixo de vir!
Até breve.
Como não me respondeste se costumam fugir de ti muitas vezes, achei por bem que soubesses, que ao conhecer este teu “esconderijo”, eu é que não vou fugir dele ;) Muito pelo contrário. Agora, irás receber a minha visita frequente! Será que se eu vier aqui “atrás de ti”, irás fugir de mim?
Hum... não, não. Eu fujo apenas se tentam "destapar-me" e ver. É como uma reacção natural.
Welcome. ;)
Prometo não tentar "destapar-te" mais do que tu próprio já revelas neste teu refúgio, mas lendo e relendo este post, não consigo evitar pensar no "Fantasma da Ópera". Conheces?
Desculpa o cliché, mas no fundo, é a velha história...será que existem seres "monstruosos",ou simplesmente pessoas que nunca foram ou nunca se sentiram amadas ou desejadas por quem lhes era importante?
Vim à procura de mais... Posts não há. Mas encontrei uma coisa especial:
"Hum... não, não. Eu fujo apenas se tentam "destapar-me" e ver. É como uma reacção natural."
Encontrei-te, sem te destapar - ui, não sou intrusiva. :)
Linkei-te. Depois vim directa do meu sítio - pela primeira vez! - e li o teu blog na íntegra. Li também os comentários, todos, até vi as datas dos que foram eliminados.
Foi a tentativa de reparar um passado em que não te sabia aqui... e não vim e agora gostava de ter estado.
Hoje fiz o caminho todo. Atrasada. Foi simbólico, uma imitação de "desde sempre".
Porque gosto muito deste sítio!
psiquê: O Fantasma, apesar de tudo, até teve sorte. Teve oportunidade de se aproximar bastante. Aquilo é que é viver um sonho intensamente. Mas é capaz de haver parecenças, sim. Mas isso dos Monstros que depois no fundo são seres "bonitos" é um mito.
morgana: Leste tudo? Que coragem! Os comentários apagados são, sobretudo, fruto de spam, na verdade. Mas também é verdade que mais do que uma vez voltei a este espaço a apaguei vários dos meus posts. Já foram o dobro do que aqueles que são agora. Mas sabe tão bem... porque na vida real tantas são as vezes que os seres ascorosos gostariam de apagar coisas do passado... e nunca dá... por isso deixa cá aproveitar essa possibilidade aqui.
Thanks...
Olha, mito ou não,gosto de mitos!
E depois apenas me inspirei nas tuas palavras: "Pois se calhar a fachada até era esta... e que mesmo mesmo no fundo sou doce e meigo... e tenho tudo para te fazer feliz..."
E tambem li o teu blog todo de um "só fôlego"! Daí até te ter deixado num post de 2005, um comentário que deveria ter chegado há quase 3 anos atrás!
Pois, lê-se depressa e sabe a pouco, porque agora vejo que dizes ter apagado muitos posts. Mas, sim aqui podes apagar,escrever por cima, recomeçar...mas continua...:)
Já vim muitas vezes espreitar em vão. Escreve... :)
I'm sorry. Rapidamente perceberás que fico muito tempo sem escrever. E, pior que tudo, que muitas vezes o faço quando devia era estar quietinho.
You'll see. ;)
Meu querido tal como diria o Manel Cruz "O Monstro precisa de amigos"...
A monstruosidade de cada um é inata, mas ter alguém que consiga ver essa monstruosidade em nós e aceita-la com um sorriso na cara é um bem raro e precioso. Quem o encontrou que não deixe escapar
Oh... e não foi isso mesmo que eu fui fazer?!...
quem é que nunca se sentiu assim?
será que nos vemos realmente do outro lado do espelho?
;)
hummmm
não sei se 'há' aquela pessoa que nos vê realmente 'nus' e 'asquerosos'...
acredito antes que vão havendo pessoas que conhecem pedaços de nós, preenchem vazios... como se espalhássemos pelos outros peças do mesmo puzzle.
a totalidade é difícil de digerir, provavelmente será demasiado contraditória... até para nós mesmos.
(obviamente falo por mim....)
mas sabes:
o teublog sabe a pouco!
Filma-me, só hoje dei conta deste teu comentário.
Arrepias-me, porque é como se soubesses tudo o que tenho escondido. As palavras que usas, são as que ouso usar apenas para uma pessoa.
E sim. (Já) Há "aquela pessoa que nos vê realmente 'nus' e 'asquerosos'..."
E daí, pergunto-me agora?
Ando a ler-te aos poucos. Ando a absorver cada letra. Este post não me foi indiferente, aliás, não me foi nada indiferente. Todos temos um pouco disto, de capas, de máscaras, de refúgios. Tentamos preservar a todo o custo essa casca principlamente com medo de perder o fascinio que poderão ter por nós... Quando se ama tem-se medo!
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